sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O início de tudo

Lembro bem do Fusca que meus pais tinham quando era criança. Ele era laranja e chorei muito quando foi vendido. Recordo-me do meu pai na sala, escrevendo numa folha A4 a palavra "Vende-se" com a letra bonita que tinha e eu, de longe, acompanhava angustiada a despedida do Fusca.

Na minha infância, um filme que me marcou foi "Se Meu Fusca Falasse". Sempre tive simpatia pelo carrinho. Com um "carinha" bonitinha, inocente. Fusca, para mim, está no mesmo nível de bebês e cachorrinhos. São fofos, lindos e que dão vontade de apertar sem parar. Pois bem.

Acabei de completar 30 e me dei de presente um Fusca. Pensei em ter um há alguns meses, entrei em sites, pesquisei preços e modelos e fui amadurecendo a ideia. No dia 15 de janeiro, fui ao encontro de carros antigos no Museu Conde de Linhares, em São Cristóvão, e fiquei encantada! Cada Fusca mais lindo que o outro! Incrível! Na empreitada, minha mãe - embaixo de um sol escadante, típico do verão carioca - e do Alex, meu colega de trabalho, amigo e afilhado, entendedor da categoria e meu braço direito na função.

Uma parte do encontro é reservada para a comercialização de carros clássicos. Muitos veículos, ofertas, preços altos. Claro! Os apaixonados por Fusca, por exemplo, personalizam seus carros e quanto mais incrementado, mais caro o bichinho fica! Vários me chamaram atenção e para uma pessoa indecisa como eu isso é péssimo! O primeiro que eu vi foi um azul celeste. O dono: Sr. Wilmar, um simpático morador de Cavalcante, que tem outros carros, inclusive um Fusca 4 portas (o famoso "Zé do Caixão"), que ele tem há mais de 30 anos. Andei no bichinho. OK. Fiquei encantada. Análise do Alex: "Está perfeito, Tainá! Lindo! Eu ficaria com ele!". Enquanto isso, compradores de Fuscas e outros interessados rodeavam o Blue Sky que nem mosca de padaria. O comentário geral: o carro estava ótimo!

Fui ver os outros que por lá estavam. Para comprar um fusca, tem que olhar além da beleza externa. Itens como mecânica, vazamentos e folgas, originalidade, estado de conservação, regulagem das portas, entre outros aspectos, precisam ser analisados com calma. Óbvio que eu não sabia de nada disso, por isso o Alex estava me acompanhando. Confesso que adorei um Fusca 72 (mais antigo e quanto retrô, melhor é o carro) modelo "saia e blusa". A blusa - parte de cima, predominante do carro - era azul-marinho cintilante e a saia - portas e laterais traseira e dianteira - branca. Um luxo! No entanto, tinha pequenos defeitinhos e o preço era bem salgadinho. Eis que minha mãe vem me dizer: "Você vai perder aquele Fusca. O cara tá começando a negociar e só está esperando o filho chegar". Olhei pro Alex, pra mina mãe, pro Fusca. Pensei. Pensei. Pensei. Seria, realmente, um grande negócio e uma imensa perda se eu não ficasse com ele.

Deixei o concorrente se afastar, chamei o Sr. Wilmar e falei que queria o carro. R$ 100 de sinal para eu terminar de pensar naquele domingo e me comprometi a dar uma resposta até a terça seguinte.